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Educação Financeira — Classes de ativos

Ações: o que são, como funcionam e quais riscos envolvem

Entenda o que são ações, como funcionam ON e PN, negociação na B3, direitos do acionista, formas de resultado e os principais riscos desse investimento.

Responsável editorial: Dorildo Necker de Moura ·

As ações estão entre os investimentos mais conhecidos do mercado de capitais, mas compreender seu funcionamento exige mais do que acompanhar se uma cotação subiu ou caiu.

Uma ação representa uma parcela do capital social de uma companhia. Ao adquirir ações, o investidor passa à condição de acionista e passa a ter direitos e riscos associados à participação que possui. Diferentemente de investimentos com remuneração previamente definida por uma regra contratual, as ações pertencem ao universo da renda variável: seu resultado futuro não é conhecido antecipadamente nem garantido.

Entender como funcionam as diferentes espécies de ações, como ocorre sua negociação, quais direitos podem existir e quais riscos estão envolvidos é uma etapa importante da educação financeira.

Este conteúdo apresenta esses conceitos de forma didática, sem recomendação de compra ou venda de qualquer ativo.

O que é uma ação?

Uma ação é um valor mobiliário que representa uma parcela do capital social de uma companhia.

Em termos simples, o capital da empresa é dividido em ações, que podem ser detidas por diferentes acionistas. Quem adquire essas ações passa a participar da estrutura societária da companhia conforme os direitos correspondentes à espécie e à classe das ações adquiridas.

Isso não significa que todo acionista administra diretamente a empresa. A administração é exercida pelos órgãos definidos pela legislação e pelo estatuto da companhia.

O acionista, por sua vez, pode possuir direitos econômicos e políticos previstos na legislação, no estatuto social e nas características específicas das ações.

Ações fazem parte da renda variável

Uma característica fundamental das ações é que não existe uma rentabilidade futura previamente garantida. O preço negociado pode:

  • aumentar;
  • diminuir;
  • permanecer relativamente estável;
  • apresentar fortes oscilações em determinados períodos;

Além disso, distribuições realizadas pela companhia também não devem ser interpretadas como garantia de renda futura. Por isso, ações são classificadas como investimentos de renda variável. As diferenças entre as duas classes são detalhadas em renda fixa e renda variável: diferenças, características e riscos.

Ações ON e PN: quais são as diferenças?

No mercado brasileiro, duas espécies são particularmente importantes para o investidor: as ações ordinárias e as ações preferenciais.

Ações ordinárias — ON

As ações ordinárias são normalmente identificadas pela sigla ON. Sua característica societária central é a atribuição de direito de voto, observadas as regras estabelecidas pela legislação e pelo estatuto da companhia.

Isso não significa que qualquer acionista individual tenha controle sobre as decisões da empresa. A influência efetiva depende, entre outros fatores, da quantidade e dos direitos de voto detidos.

A legislação brasileira também admite estruturas específicas envolvendo voto plural, o que reforça a necessidade de não confundir simplesmente quantidade de ações com percentual de poder político em todas as situações.

Ações preferenciais — PN

As ações preferenciais são normalmente identificadas pela sigla PN. Elas podem possuir preferências ou vantagens econômicas estabelecidas pela legislação e pelo estatuto da companhia, como determinadas prioridades relacionadas a dividendos ou ao reembolso do capital.

Os direitos de voto das preferenciais também podem ser diferentes daqueles existentes nas ações ordinárias.

Devem ser evitadas as simplificações “ação PN sempre paga mais dividendos” e “ação PN nunca tem direito a voto”. As características efetivas precisam ser verificadas para cada companhia e para cada classe de ação.

Como identificar pelo código de negociação

Na codificação usual adotada pela B3, o final do código indica a espécie ou a classe:

Finais usuais do código de negociação e a espécie ou classe correspondente
Final do códigoEspécie ou classe
3ação ordinária
4ação preferencial
5preferencial classe A
6preferencial classe B
7preferencial classe C
8preferencial classe D

Essa identificação ajuda a reconhecer a espécie ou classe negociada, mas não substitui a consulta às características específicas do ativo, previstas no estatuto da companhia e nos documentos oficiais.

Como as ações chegam ao mercado e são negociadas?

As ações podem chegar aos investidores por meio de ofertas realizadas no mercado de capitais e, posteriormente, podem ser negociadas entre investidores.

IPO

IPO é a sigla de Initial Public Offering, ou oferta pública inicial. É a primeira oferta pública de ações realizada no processo de acesso da companhia ao mercado.

Follow-on

Depois de já ter realizado uma oferta inicial, uma companhia pode participar de uma nova oferta de ações, normalmente chamada de follow-on ou oferta subsequente. Não é correto afirmar que todo follow-on representa captação nova para a companhia: uma oferta subsequente pode possuir componente primário, secundário ou ambos.

Oferta primária

Em uma oferta primária, são emitidas novas ações e os recursos correspondentes à emissão ingressam na companhia.

Oferta secundária

Em uma oferta secundária, ações que já pertencem a determinados acionistas são oferecidas aos investidores. Nesse caso, os recursos correspondentes à venda são destinados aos acionistas vendedores, e não ao caixa da companhia.

Mercado secundário

Depois que as ações estão disponíveis para negociação, investidores podem comprá-las e vendê-las no mercado secundário. Nessas negociações, ocorre transferência dos valores mobiliários entre investidores. A companhia emissora não recebe o dinheiro de cada compra e venda realizada entre eles.

Oferta secundária e mercado secundário não são a mesma coisa.

Como o acionista pode obter resultado?

O resultado econômico de um investimento em ações pode decorrer de diferentes componentes. Um deles é a mudança no preço da ação. Outro pode estar relacionado a proventos e demais direitos econômicos. Nenhum desses componentes deve ser entendido como retorno futuro garantido.

Valorização ou desvalorização

  • P₀ = preço inicial da ação;
  • P₁ = preço posterior da ação.

Variação (%) = ((P₁ − P₀) ÷ P₀) × 100

Exemplo positivo: preço inicial de R$ 20 e preço posterior de R$ 22

Exemplo: ((22 − 20) ÷ 20) × 100 = 10%

Exemplo negativo: preço inicial de R$ 20 e preço posterior de R$ 18

Exemplo: ((18 − 20) ÷ 20) × 100 = −10%

Valor positivo representa valorização e valor negativo representa desvalorização.

Proventos e outros direitos econômicos

Conforme as deliberações da companhia e as regras aplicáveis, podem existir dividendos, juros sobre capital próprio, bonificações e direitos de subscrição. Nenhum deles deve ser considerado garantido ou necessariamente periódico.

Proventos e operações com ações podem estar sujeitos às regras tributárias vigentes, que devem ser verificadas de acordo com cada situação.

Quais direitos um acionista pode possuir?

Comprar uma ação não significa apenas acompanhar seu preço. Dependendo da espécie e da classe de ação, da legislação e do estatuto da companhia, podem existir diferentes direitos.

Voto e participação em assembleias

As assembleias são instâncias importantes de deliberação das companhias. Acionistas com direitos de voto podem participar das decisões submetidas às assembleias conforme as regras aplicáveis.

Possuir direito de voto não significa possuir controle da empresa.

Direito de preferência e subscrição

Quando ocorre aumento de capital com emissão de novas ações, acionistas podem possuir direito de preferência para subscrever novas ações nos termos da legislação aplicável. Não é correto afirmar que toda emissão obrigatoriamente concede esse direito de forma idêntica: a Lei das S.A. possui hipóteses e condições específicas relacionadas ao exercício ou à exclusão do direito de preferência.

O que é diluição?

Considere uma companhia hipotética com 1.000 ações no total, na qual o investidor possui 100 ações.

Participação = (Ações do investidor ÷ Total de ações) × 100

Exemplo: (100 ÷ 1.000) × 100 = 10%

A companhia emite 250 novas ações, e o novo total passa a ser 1.000 + 250 = 1.250 ações. Se o investidor continuar com 100 ações:

Participação após a emissão, mantendo 100 ações

Exemplo: (100 ÷ 1.250) × 100 = 8%

Logo, nesse exemplo, a participação cai de 10% para 8%. Se o investidor passar a possuir 125 ações:

Participação após a emissão, passando a possuir 125 ações

Exemplo: (125 ÷ 1.250) × 100 = 10%

Sua participação percentual seria preservada nesse exemplo simplificado. O cálculo representa uma simplificação de participação societária e não necessariamente poder de voto, já que diferentes classes e direitos podem tornar a estrutura real mais complexa.

Tag along

Nas situações abrangidas pelo art. 254-A da Lei nº 6.404/1976, a alienação do controle de companhia aberta envolve proteção aos titulares de ações com direito a voto mediante oferta pública. A legislação estabelece preço de pelo menos 80% do valor pago por ação com direito a voto integrante do bloco de controle, nas hipóteses legais aplicáveis.

Segmentos especiais de listagem da B3 podem estabelecer proteções adicionais. Esta explicação é conceitual e não constitui parecer jurídico.

Governança corporativa e segmentos da B3

Governança corporativa reúne as práticas, regras e estruturas relacionadas à forma como uma companhia é dirigida, monitorada e como se relaciona com seus acionistas e demais partes interessadas.

A B3 mantém segmentos especiais de listagem, entre eles Novo Mercado, Nível 2 e Nível 1, com requisitos diferenciados de governança em relação ao segmento tradicional. Cada segmento possui seu próprio regulamento, que deve ser consultado nas fontes oficiais.

Governança é um elemento de análise. Não é garantia de rentabilidade. Pertencer a determinado segmento não torna uma companhia, por si só, um investimento melhor.

Quais são os principais riscos das ações?

Risco específico da empresa

Está relacionado a fatores próprios da companhia e de seu negócio, como:

  • receitas;
  • custos;
  • endividamento;
  • concorrência;
  • gestão;
  • questões operacionais;
  • mudanças regulatórias;
  • fatores específicos do setor;

Risco de mercado

Decorre de condições que afetam o mercado de forma ampla, como:

  • taxas de juros;
  • atividade econômica;
  • inflação;
  • expectativas;
  • eventos políticos;
  • condições internacionais;
  • percepção de risco;

Descrever esses fatores não significa prever seu comportamento futuro.

Volatilidade

Os preços das ações podem oscilar com intensidades diferentes ao longo do tempo. Essa dispersão dos retornos é estudada em volatilidade nos investimentos: o que é e como interpretar.

Risco de liquidez

Ações não possuem necessariamente a mesma facilidade de negociação. Volume negociado e condições de mercado podem influenciar a possibilidade de comprar ou vender determinada quantidade sem afetar significativamente o preço. O tema é aprofundado em liquidez nos investimentos: o que é, como funciona e por que ela importa.

Risco de concentração

Exposição excessiva a uma única empresa, a um único setor ou a um mesmo fator econômico pode fazer com que um evento específico afete de forma relevante o conjunto dos investimentos. Sobre o tema, consulte diversificação de investimentos: como reduzir riscos e organizar a carteira.

O preço de compra não cria um piso

A afirmação “comprei a R$ 20, então algum dia necessariamente voltará para R$ 20” é incorreta. Não existe obrigação de o mercado retornar ao preço pago por um investidor. O preço pode subir, cair ou permanecer abaixo do valor de aquisição por período indeterminado, o que inclui a possibilidade de perdas relevantes de capital.

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Exemplo completo: compra, variação de preço e proventos

Considere um exemplo hipotético, sem relação com qualquer empresa real: quantidade de 100 ações e preço inicial de R$ 20.

Investimento inicial = Quantidade × Preço inicial

Exemplo: 100 × 20 = R$ 2.000

Posteriormente, o preço passa a ser de R$ 22.

Valor de mercado = Quantidade × Preço atual

Exemplo: 100 × 22 = R$ 2.200

Resultado (preço) = Quantidade × (Preço final − Preço inicial)

Exemplo: 100 × (22 − 20) = R$ 200

Se as ações ainda estiverem na carteira, esses R$ 200 representam ganho não realizado associado à cotação naquele momento.

Considerando ainda R$ 60 em proventos hipotéticos:

Resultado econômico = Resultado (preço) + Proventos

Exemplo: 200 + 60 = R$ 260

Retorno (%) = (Resultado econômico ÷ Investimento inicial) × 100

Exemplo: (260 ÷ 2.000) × 100 = 13%

Este cálculo possui finalidade exclusivamente educacional e desconsidera custos, tributação, novas compras, vendas parciais, diferentes datas dos fluxos de caixa, reinvestimento de proventos, eventos societários e outras movimentações.

Para carteiras com diferentes aportes, vendas e fluxos em diferentes datas, métodos apropriados de cálculo de rentabilidade devem ser utilizados.

Não se deve somar novamente proventos quando a série de preços utilizada já estiver ajustada para esses eventos, pois isso pode causar dupla contagem.

O que compreender antes de investir em ações

  • Qual é a atividade da companhia?
  • Quais riscos podem afetar o negócio?
  • Qual espécie ou classe de ação está sendo considerada?
  • Quais direitos estão associados a ela?
  • Como é a governança da companhia?
  • Existe liquidez adequada à posição considerada?
  • Qual seria o peso do investimento na carteira?
  • Como esse ativo se relaciona com os demais investimentos?
  • Qual é o horizonte do investidor?
  • A possibilidade de oscilações e perdas é compatível com seus objetivos e sua capacidade de assumir riscos?

Essas perguntas organizam o estudo do investimento e não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de qualquer ativo.

Erros comuns ao interpretar ações

  1. Analisar somente a cotação. O preço é apenas uma informação. Ele não descreve sozinho a atividade da companhia, seus riscos nem os direitos associados à ação.
  2. Acreditar que uma ação está barata apenas porque caiu. Uma queda de preço não indica, por si só, que o ativo esteja barato. As condições da empresa e do mercado podem ter mudado.
  3. Comprar apenas porque o preço subiu. Uma valorização recente não cria obrigação de valorizações futuras nem descreve o risco assumido.
  4. Considerar dividendos garantidos. Distribuições dependem de resultados, deliberações e das regras aplicáveis. Não são renda assegurada.
  5. Ignorar o negócio da companhia. A ação representa participação no capital social de uma empresa real, sujeita a fatores operacionais, setoriais e regulatórios.
  6. Ignorar liquidez e concentração. A facilidade de negociação e o peso da posição na carteira influenciam a experiência do investidor.
  7. Confundir preço baixo por ação com baixo valor econômico da empresa. O preço unitário depende também da quantidade de ações existentes. Ele não mede isoladamente o tamanho da companhia.
  8. Tratar rentabilidade passada como previsão. O histórico descreve o que ocorreu. Ele não determina o que ocorrerá.

Ações dentro de uma carteira diversificada

Possuir várias ações não significa automaticamente possuir uma carteira diversificada. Diferentes posições podem compartilhar exposições semelhantes, como:

  • setor;
  • região;
  • fatores macroeconômicos;
  • matérias-primas;
  • riscos semelhantes;

O peso de cada posição também importa: posições muito grandes influenciam mais o comportamento do conjunto do que posições pequenas. O tema é tratado em diversificação de investimentos: como reduzir riscos e organizar a carteira.

Rentabilidade passada não garante resultados futuros

  • histórico é informação;
  • histórico não é garantia;
  • valorização passada não obriga novas valorizações;
  • queda passada não obriga recuperação;
  • condições da empresa e do mercado podem mudar.
Histórico é informação. Não é garantia.

Perguntas frequentes

O que significa comprar uma ação?
Significa adquirir um valor mobiliário que representa participação no capital social de uma companhia, passando à condição de acionista, com os direitos e os riscos correspondentes à espécie e à classe adquirida.
Qual é a diferença entre ações ON e PN?
As ordinárias (ON) têm como característica societária central a atribuição de direito de voto, observadas a legislação e o estatuto. As preferenciais (PN) podem possuir preferências ou vantagens econômicas e direitos de voto diferentes. Não é correto afirmar que a PN sempre paga mais dividendos ou que nunca possui direito de voto: as características precisam ser verificadas em cada companhia e classe.
Toda ação paga dividendos?
Não. O fato de o investidor possuir ações não garante que haverá distribuição de dividendos em todos os períodos.
É possível perder dinheiro investindo em ações?
Sim. A renda variável não possui retorno futuro garantido, e o preço pode permanecer abaixo do valor de aquisição por período indeterminado, o que pode resultar em perda de capital.
O preço de uma ação representa o valor total da empresa?
Não. O preço de uma ação corresponde ao preço negociado de uma unidade daquele ativo. Ele não representa, isoladamente, o valor total da companhia. A avaliação do valor de mercado da empresa exige considerar sua estrutura acionária e a quantidade de ações correspondente, entre outros fatores.
O que pode acontecer com minha participação se a empresa emitir novas ações?
Pode ocorrer diluição: com mais ações em circulação, a mesma quantidade detida passa a representar percentual menor do capital. Conforme as regras aplicáveis à emissão, pode existir direito de preferência para subscrever novas ações.
Ter muitas ações significa necessariamente ter uma carteira diversificada?
Não. A diversificação depende não apenas da quantidade de ativos, mas também da exposição a empresas, setores, classes de ativos e fatores de risco.

Conclusão

  • ação representa participação no capital social de uma companhia;
  • o acionista pode possuir direitos econômicos e políticos;
  • o resultado pode envolver mudanças de preço e eventuais proventos;
  • não existe rentabilidade garantida;
  • ações estão sujeitas a riscos da empresa e do mercado;
  • compreender um investimento é diferente de tentar prever seu retorno.

Compreender o funcionamento das ações permite analisar o investimento com mais clareza, observando direitos, características da companhia e riscos envolvidos.

Fontes oficiais consultadas

Sobre este conteúdo

Produção editorial:
Rendaxx App
Responsável editorial:
Dorildo Necker de Moura
Finalidade:
Educação financeira e informação
Última revisão:

Este conteúdo foi elaborado para apresentar conceitos gerais de educação financeira em linguagem acessível. As fontes utilizadas são identificadas para permitir consulta e aprofundamento.

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