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Educação Financeira

Liquidez nos investimentos: o que é, como funciona e por que ela importa

Entenda o que é liquidez nos investimentos e como funcionam prazos, resgate, cotização, liquidação, carência, vencimento e mercado secundário.

Responsável editorial: Dorildo Necker de Moura ·

No conteúdo sobre risco nos investimentos, o risco de liquidez apareceu entre os riscos possíveis de um investimento. Este artigo responde à pergunta seguinte: quanto tempo, em quais condições e por qual processo um investimento pode ser convertido em recursos disponíveis?

Liquidez não é apenas “tempo para sacar”. Dependendo do investimento, o caminho até o dinheiro disponível pode envolver:

  • negociação;
  • resgate;
  • formação de preço;
  • cotização/conversão;
  • liquidação;
  • pagamento;
  • carência;
  • vencimento;
  • mercado secundário;
Conteúdo exclusivamente educacional. Não constitui recomendação de investimento.

O que é liquidez nos investimentos?

Liquidez está relacionada à facilidade e à rapidez com que um investimento pode ser vendido, resgatado ou convertido em dinheiro em condições adequadas.

Esse conceito envolve quatro dimensões que costumam ser observadas em conjunto:

  • Facilidade de negociação — Existe forma prevista de sair do investimento e existem participantes ou mecanismos capazes de viabilizar essa saída?
  • Condições e preço — A saída ocorre em condições adequadas ou pode exigir aceitar condições diferentes das esperadas?
  • Prazo — Quais etapas e quantos dias podem existir entre a decisão de sair e a conclusão do processo?
  • Disponibilidade efetiva — Em que momento os recursos ficam efetivamente disponíveis para uso?

A sequência pode ser lida assim: facilidade de negociação → preço → prazos operacionais → disponibilidade efetiva dos recursos.

Liquidez não é apenas “tempo para sacar”

Um ativo pode ser negociado hoje e ter a liquidação financeira em data posterior. Da mesma forma, um fundo pode aceitar o pedido de resgate hoje e converter as cotas e pagar em datas diferentes, conforme as regras aplicáveis.

Possibilidade de solicitar a saída ≠ dinheiro imediatamente disponível.

Liquidez e risco de liquidez

Liquidez é uma característica relacionada à conversão do investimento em recursos. Risco de liquidez é a possibilidade de haver dificuldade para realizar essa conversão nas condições ou no prazo esperados.

Liquidez e risco de liquidez são conceitos relacionados, mas não são sinônimos.

O risco de liquidez ao lado dos demais riscos é tratado em risco nos investimentos: o que é e como entender risco de mercado, crédito e liquidez.

Liquidez, rentabilidade e segurança

São conceitos distintos. Suponha, apenas para fins didáticos, dois investimentos hipotéticos com o mesmo resultado observado no período: A com +8% e B com +8%.

A = +8% e B = +8%

Exemplo: comparação de retornos hipotéticos no mesmo período

A conclusão permitida é apenas que os dois apresentaram a mesma rentabilidade observada. Concluir que possuem a mesma liquidez não é possível a partir desse dado.

A forma de calcular e interpretar resultados é tratada em rentabilidade da carteira: como calcular e interpretar seus resultados.

Alta liquidez não elimina risco de mercado, risco de crédito ou outros riscos. Alta liquidez ≠ investimento melhor; baixa liquidez ≠ investimento ruim.

Venda, resgate e liquidação são a mesma coisa?

Não. São conceitos diferentes.

Diferença conceitual entre venda, resgate e liquidação
ConceitoSignificado
VendaNegociação de um ativo com outra parte.
ResgateSolicitação, conforme as regras do produto, para transformar a participação em recursos.
LiquidaçãoEtapa em que ocorre a efetivação financeira e/ou a entrega dos ativos conforme as regras da operação.
Venda executada ≠ dinheiro necessariamente disponível no mesmo instante.

O que significam D+0, D+1, D+2 e D+n?

D+n indica um prazo contado a partir de uma data ou evento de referência, de acordo com a convenção definida para aquela operação ou produto.

  • D+0 — no próprio D, segundo as regras aplicáveis;
  • D+1 — um dia aplicável após D;
  • D+2 — dois dias aplicáveis após D;
  • D+n — a quantidade de dias definida conforme a regra.

Qual evento representa o D?

Antes de interpretar qualquer prazo, é necessário perguntar:

  • qual evento é D?
  • a contagem é em dias úteis ou em dias corridos?
  • qual calendário se aplica?
  • existe horário de corte?
Não existe um único D+n universal para todos os investimentos.

Dias úteis e dias corridos

Regras diferentes podem utilizar dias úteis ou dias corridos. Por isso, D+1 não significa automaticamente “amanhã”, e nenhuma contagem deveria ser feita sem declarar a convenção adotada.

Exemplo de contagem de prazo

Considere um cenário hipotético e explicitamente simplificado: pedido de resgate em D0, conversão em D+1 útil em relação ao pedido e pagamento em D+2 úteis após a conversão.

1 dia útil + 2 dias úteis = 3 dias úteis

Exemplo: soma das etapas do cenário simplificado

Pedido → +1 dia útil → conversão → +2 dias úteis → pagamento.

Esse resultado de três dias úteis pertence apenas ao exemplo hipotético. Não representa prazo universal de resgate. Feriados, horários de corte, calendários e regras específicas podem alterar a data efetiva.

Pedido de resgate, conversão e pagamento

Em determinados produtos, especialmente em fundos, a saída pode envolver etapas distintas:

Etapas possíveis entre o pedido de resgate e a disponibilização dos recursos
EtapaSignificado
PedidoSolicitação do resgate.
Conversão/cotizaçãoDeterminação do valor aplicável conforme as regras.
PagamentoDisponibilização dos recursos.

O pedido é o momento da solicitação. A conversão, também chamada de cotização, é a etapa em que, conforme as regras do fundo ou produto aplicável, é determinado o valor utilizado na transformação das cotas. O pagamento é o momento em que os recursos são disponibilizados.

Pedido ≠ conversão ≠ pagamento.

Essa estrutura não deve ser generalizada para todos os investimentos: cada produto possui regras próprias.

Carência, vencimento e saída antecipada

O que é carência?

Carência é um período durante o qual determinadas movimentações podem estar restritas conforme as regras do investimento. Nem todo produto possui carência.

Mesmo depois do fim da carência podem existir etapas e prazos adicionais até a disponibilidade dos recursos.

Fim da carência ≠ dinheiro automaticamente disponível.

O que é vencimento?

Vencimento é a data final prevista para determinado investimento ou obrigação quando existe prazo contratual definido. Nem todo investimento possui vencimento.

Carência e vencimento não são a mesma coisa

Carência é um período com restrição operacional conforme as regras. Vencimento é a data final prevista para um investimento com prazo definido.

Carência ≠ vencimento. Carência ≠ liquidação.

Saída antecipada

Dependendo do investimento, pode existir ou não a possibilidade de saída antes do vencimento. Isso pode depender de fatores como:

  • regras contratuais;
  • resgate;
  • recompra;
  • mercado secundário;
  • existência de contraparte;

Não é possível generalizar: as condições dependem das regras específicas de cada produto.

Mercado secundário e liquidez

O mercado secundário permite que investidores negociem entre si ativos já emitidos. A existência desse mercado pode contribuir para a liquidez de um investimento.

Isso, porém, não garante comprador imediato. A existência do mercado não assegura:

  • comprador imediato;
  • preço desejado;
  • execução integral;
  • as mesmas condições em qualquer momento;
Mercado secundário ≠ venda garantida.

Oferta e demanda

A negociação depende da existência de participantes interessados. Havendo pouca contraparte disponível, podem se alterar:

  • tempo;
  • quantidade;
  • condições;
  • preço de execução;

Essa observação descreve um funcionamento conceitual e não constitui previsão.

Volume negociado

O volume mostra a atividade observada em determinado período e pode ser útil como informação complementar.

Volume passado ≠ liquidez futura garantida.

Este conteúdo não estabelece volume mínimo, volume ideal nem qualquer ranking de ativos.

Spread entre compra e venda

Considere um exemplo didático com melhor oferta de compra a R$ 99,50 e melhor oferta de venda a R$ 100,00.

100,00 − 99,50 = R$ 0,50

Exemplo: diferença entre as melhores ofertas do exemplo

O spread absoluto do exemplo é de R$ 0,50.

Neste exemplo, usando R$ 100,00 como preço de referência escolhido:

0,50 ÷ 100 × 100 = 0,50%

Exemplo: spread em relação ao preço de referência escolhido

O resultado é de 0,50% em relação ao preço de referência adotado no exemplo.

Spread de 0,50% não significa “risco de liquidez de 0,50%”. Spread ≠ percentual de risco.

Preço de referência e preço executado

Considere um preço hipotético de referência de R$ 100 e uma venda executada a R$ 98.

[(98 − 100) ÷ 100] × 100 = −2%

Exemplo: diferença entre preço executado e preço de referência

A execução ficou 2% abaixo do preço de referência hipotético.

O cálculo isolado não identifica a causa dessa diferença e não significa que “o risco de liquidez era de 2%”.

O que “liquidez diária” realmente significa?

Quando um investimento é descrito como tendo liquidez diária, é necessário verificar exatamente qual movimentação pode ocorrer diariamente e quais são os prazos até a disponibilidade efetiva dos recursos.

A expressão não deve ser interpretada automaticamente como:

  • saque instantâneo;
  • pagamento imediato;
  • preço garantido;
  • ausência de risco;
  • inexistência de regras adicionais;
Liquidez diária ≠ dinheiro necessariamente instantâneo.

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Liquidez em diferentes investimentos

Renda fixa

Dependendo do produto e do contrato, pode existir:

  • liquidez diária;
  • carência;
  • vencimento;
  • resgate;
  • negociação antecipada;
  • mercado secundário;

Não é correto afirmar simplesmente que “renda fixa é líquida”: as condições dependem das regras de cada investimento. As diferenças entre as classes começam pela forma de remuneração, tema tratado em renda fixa e renda variável: diferenças, características e riscos.

Ações

Ações negociadas em bolsa utilizam o mercado secundário. A facilidade e as condições de negociação podem variar conforme:

  • ativo;
  • oferta;
  • demanda;
  • volume;
  • condições de mercado;

Na data da consulta e publicação deste conteúdo, operações com ações no mercado à vista utilizam liquidação em D+2 segundo a B3. Regras operacionais de mercado podem ser alteradas ao longo do tempo, de modo que esse prazo não deve ser tratado como regra permanente.

ETFs

ETFs negociados em bolsa também possuem mercado secundário. Volume e spread podem ser observados como elementos relacionados à liquidez. Mecanismos como criação e resgate de cotas serão tratados em conteúdo futuro específico.

FIIs

FIIs são fundos fechados, e a negociação de suas cotas no mercado secundário é relevante para a saída do cotista antes das hipóteses de encerramento aplicáveis. A facilidade de venda depende das condições de negociação existentes, sem garantia de comprador.

FIAGROs

As condições de liquidez de um FIAGRO dependem da estrutura da classe, do regulamento e, quando aplicável, das condições de negociação das cotas. O detalhamento será tratado em conteúdo futuro dedicado ao tema.

Fundos abertos

Fundos abertos ilustram bem a sequência pedido → conversão/cotização → pagamento. Os prazos de cada etapa dependem das regras e da documentação de cada fundo, não existindo prazo universal.

Liquidez dentro da carteira

Concentração e peso

Considere um patrimônio hipotético de R$ 20.000 e uma exposição analisada de R$ 8.000.

8.000 ÷ 20.000 × 100 = 40%

Exemplo: participação da exposição no patrimônio

O resultado indica que 40% do patrimônio está associado à exposição analisada.

40% mede concentração. Não significa “40% de risco de liquidez”. Concentração ≠ risco de liquidez.

O tema é aprofundado em diversificação de investimentos: como reduzir riscos e organizar a carteira.

Peso_i = (Valor_i ÷ Patrimônio total) × 100

Exemplo: participação de uma posição no patrimônio total

O peso mede participação. Sozinho, ele não mede diretamente:

  • prazo;
  • spread;
  • volume;
  • facilidade de negociação;
  • carência;
  • conversão;
  • pagamento;
  • risco de liquidez;
Peso da carteira ≠ liquidez.

Horizonte e necessidade de recursos

O horizonte da análise e uma eventual necessidade de recursos podem mudar a relevância atribuída à liquidez em determinado estudo. Isso não significa que exista um prazo correto ou um percentual adequado aplicável a todos.

Uma pergunta educacional útil é: se fosse necessário converter esse investimento em dinheiro, quais etapas, condições e prazos estariam envolvidos?

Diversificação e rebalanceamento

Uma carteira pode ser diversificada em número de ativos e ainda possuir concentrações em exposições com características semelhantes de liquidez.

Mudanças de alocação também dependem da possibilidade de comprar, vender ou resgatar. O acompanhamento de pesos e desvios é tratado em rebalanceamento da carteira: o que é, como funciona e como acompanhar a alocação.

Rebalanceamento planejado ≠ execução garantida ao preço desejado.

Como analisar a liquidez de um investimento?

A análise conceitual observa o caminho completo entre a decisão de sair e a disponibilidade dos recursos: forma de saída, existência de carência ou vencimento, evento inicial da contagem de prazo, convenção de dias, etapas de conversão e pagamento e, quando aplicável, condições de negociação no mercado secundário.

Nenhuma característica isolada define toda a liquidez de um investimento, e um investimento líquido continua sujeito a outros riscos.

O que este artigo não calcula

Este conteúdo não implementa nem calcula:

  • score próprio de liquidez;
  • índice de 0 a 100;
  • percentual de risco de liquidez;
  • volume mínimo ideal;
  • spread máximo recomendado;
  • prazo ideal de resgate;
  • classificação automática alta/média/baixa;
  • ranking de ativos;
  • recomendação de produtos;
  • previsão de liquidez futura;
  • Sharpe;
  • Sortino;
  • VaR;
  • beta;
  • volatilidade;
  • probability of default;

Erros comuns ao analisar liquidez

  1. Confundir liquidez com rentabilidade.
  2. Confundir liquidez com segurança.
  3. Achar que liquidez diária significa dinheiro instantâneo.
  4. Confundir venda com liquidação.
  5. Confundir pedido de resgate com pagamento.
  6. Confundir conversão/cotização com pagamento.
  7. Confundir carência com vencimento.
  8. Confundir vencimento com liquidez.
  9. Interpretar D+n sem identificar o evento inicial.
  10. Ignorar se o prazo é contado em dias úteis ou corridos.
  11. Achar que mercado secundário garante comprador.
  12. Considerar volume passado como garantia futura.
  13. Tratar spread como percentual de risco.
  14. Confundir concentração com risco de liquidez.
  15. Avaliar liquidez sem conhecer as regras específicas do produto.

Roteiro educacional de análise

  1. Como esse investimento pode ser convertido em dinheiro?
  2. A saída ocorre por venda ou por resgate?
  3. Existe carência?
  4. Existe vencimento?
  5. Qual evento inicia a contagem do prazo?
  6. O prazo é contado em dias úteis ou corridos?
  7. Existem etapas de conversão/cotização e pagamento?
  8. A saída depende de mercado secundário? Em caso positivo, quais condições de negociação estão sendo observadas?
  9. Volume e spread podem variar?
  10. Quais riscos permanecem mesmo depois de considerar a liquidez?

O roteiro serve para organizar o estudo e não constitui diagnóstico individualizado nem recomendação de compra, venda, resgate ou manutenção.

Conclusão

Analisar liquidez é responder a quatro perguntas: consigo sair? Em quanto tempo? Por qual processo? Em quais condições?

Liquidez não é segurança nem rentabilidade. Mercado secundário não é comprador garantido. D+n precisa de uma referência declarada. E pedido, conversão e pagamento podem ocorrer em datas diferentes.

Antes de olhar apenas para o prazo, entenda todo o caminho entre a decisão de sair do investimento e a efetiva disponibilidade dos recursos.

Perguntas frequentes

O que é liquidez nos investimentos?
Liquidez está relacionada à facilidade e ao tempo necessários para vender, resgatar ou converter um investimento em dinheiro em condições adequadas.
Liquidez diária significa dinheiro na hora?
Não necessariamente. É preciso verificar quais movimentações podem ocorrer diariamente e quais são os prazos até a disponibilidade efetiva dos recursos.
O que significa D+1 ou D+2?
Indica um prazo contado a partir de uma data ou evento de referência. É necessário identificar esse evento e verificar a convenção de contagem aplicável.
Carência e vencimento são a mesma coisa?
Não. Carência corresponde a uma restrição por determinado período conforme as regras do investimento; vencimento é a data final prevista quando existe prazo contratual definido.
Mercado secundário garante que conseguirei vender?
Não. A negociação depende das condições de oferta, demanda e demais características existentes naquele momento.
Alta liquidez significa baixo risco?
Não necessariamente. Um investimento líquido ainda pode estar exposto a risco de mercado, crédito ou outros riscos.
Volume negociado garante liquidez futura?
Não. Volume observado representa atividade em determinado período e não garante que as mesmas condições existirão posteriormente.

Fontes e referências

Sobre este conteúdo

Produção editorial:
Rendaxx App
Responsável editorial:
Dorildo Necker de Moura
Finalidade:
Educação financeira e informação
Última revisão:

Este conteúdo foi elaborado para apresentar conceitos gerais de educação financeira em linguagem acessível. As fontes utilizadas são identificadas para permitir consulta e aprofundamento.

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