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Educação Financeira

Risco nos investimentos: o que é e como entender risco de mercado, crédito e liquidez

Produção editorial: Rendaxx App · Responsável editorial: Dorildo Necker de Moura · Publicado em · Última revisão:

Risco representa a incerteza associada aos resultados de um investimento. Investimentos diferentes podem estar expostos a tipos e intensidades de risco diferentes, e nenhum indicador isolado descreve todos esses riscos.

Até aqui, a sequência editorial tratou de medir e comparar resultados. Rentabilidade da carteira mostra como medir e interpretar o resultado; benchmark de investimentos mostra como comparar esse resultado com referências; diversificação de investimentos trata de concentração e distribuição das exposições; e rebalanceamento da carteira trata de acompanhar alterações na alocação.

Agora o tema é outro: quais incertezas e riscos existem por trás dos investimentos e das exposições da carteira. Analisar apenas a rentabilidade fornece uma visão incompleta, porque retorno, risco e liquidez são características diferentes e relevantes de um investimento.

Conteúdo exclusivamente educacional. Não constitui recomendação de investimento.

O que é risco nos investimentos?

Risco está relacionado à incerteza sobre os resultados que efetivamente poderão ocorrer em relação ao que era esperado.

Onde existe risco, o resultado pode ser qualquer um destes:

  • ganho;
  • perda;
  • resultado próximo do esperado;
  • resultado diferente do esperado;

Por isso, risco não é sinônimo de prejuízo: ele descreve a incerteza em torno do que pode acontecer, e não um resultado já definido.

Risco não significa perda certa

Risco é a incerteza existente antes e durante a exposição. Perda realizada é um resultado negativo que efetivamente ocorreu. São conceitos distintos.

Considere um exemplo hipotético com valor inicial de R$ 10.000 e valor final de R$ 9.000.

Variação = [(Valor final − Valor inicial) ÷ Valor inicial] × 100

Exemplo: variação observada no período

[(9.000 − 10.000) ÷ 10.000] × 100 = −10%

Exemplo: aplicação dos valores do exemplo

O resultado de −10% representa uma variação efetivamente observada no exemplo. Não significa que “o risco do investimento era de 10%”.

Risco e incerteza

Suponha, apenas para fins didáticos, um retorno esperado hipotético de +8% e um resultado realizado hipotético de +3%.

3% − 8% = −5 p.p.

Exemplo: diferença entre resultado realizado e expectativa hipotética

O resultado realizado ficou 5 pontos percentuais abaixo da expectativa hipotética. Um retorno esperado é uma expectativa, e não uma previsão garantida.

−5 p.p. mede a diferença entre dois retornos no exemplo. Não representa uma medida completa de risco.

Relação entre risco e retorno

Investimentos com expectativa de retornos superiores podem envolver maior risco. Isso, porém, não significa que assumir mais risco garanta um retorno realizado maior.

Retorno esperado é expectativa. Retorno realizado é o resultado efetivamente ocorrido. Os dois podem ser bastante diferentes entre si.

Maior risco ≠ maior retorno garantido.

Mesmo retorno significa mesmo risco?

Não.

Suponha o Investimento A com +10% e o Investimento B com +10% no mesmo período. A conclusão permitida é apenas que os dois apresentaram a mesma rentabilidade no período analisado. Concluir que tiveram o mesmo risco não é possível a partir desse dado.

Dois investimentos com o mesmo retorno observado podem apresentar características diferentes de:

  • mercado;
  • crédito;
  • liquidez;
  • emissor;
  • prazo;
  • concentração;
  • estrutura;

A forma de medir e interpretar o resultado observado é tratada em rentabilidade da carteira: como calcular e interpretar seus resultados.

Retorno maior não mede automaticamente mais risco

Suponha A com 12% e B com 8% no mesmo período.

12% − 8% = +4 p.p.

Exemplo: diferença de retorno entre A e B

A interpretação correta é que A apresentou retorno 4 pontos percentuais superior no período. Dizer que A apresentou “4 p.p. mais risco” seria incorreto.

Pontos percentuais medem aqui diferença de retorno. Não medem diferença de risco.

A escolha de referências coerentes para comparação é tratada em benchmark de investimentos: como comparar a rentabilidade da sua carteira.

Quais são os principais tipos de risco?

Este conteúdo organiza o tema em três pilares principais:

  • Risco de mercado — Incerteza associada a alterações nas condições e expectativas capazes de afetar preços e resultados.
  • Risco de crédito — Possibilidade de o emissor ou a contraparte não cumprir integralmente as obrigações assumidas.
  • Risco de liquidez — Possibilidade de dificuldade para negociar ou converter o investimento em recursos nas condições ou no prazo esperado.

E apresenta dois riscos complementares:

  • Risco operacional — Problemas ou falhas envolvendo processos, sistemas, controles, gestão e pessoas.
  • Risco legal — Questões jurídicas capazes de afetar obrigações, direitos e a execução de contratos.

Essa organização é didática. Ela não significa que todos os riscos de todos os investimentos estejam limitados exclusivamente a essas cinco categorias.

Risco de mercado

O que é risco de mercado?

Risco de mercado está associado a alterações nas condições e expectativas capazes de afetar preços e resultados dos investimentos.

Como as condições de mercado podem afetar os investimentos

Dependendo do investimento, podem ser relevantes fatores como:

  • juros;
  • câmbio;
  • atividade econômica;
  • expectativas econômicas;
  • condições fiscais;
  • condições políticas;
  • fatores setoriais;
  • condições específicas de mercado;

Um único fator raramente explica sozinho determinada oscilação: condições diferentes podem atuar ao mesmo tempo e em intensidades distintas.

Considere um exemplo exclusivamente didático com valor inicial de R$ 10.000 e valor posterior de R$ 9.500.

[(9.500 − 10.000) ÷ 10.000] × 100 = −5%

Exemplo: variação observada entre os dois momentos

A variação de −5% mede apenas o resultado observado no exemplo. Para atribuir essa variação a determinado fator de mercado seria necessário conhecer as causas e o contexto da oscilação.

Renda fixa também pode ter risco de mercado

A expressão renda fixa descreve características da remuneração ou sua metodologia. Ela não significa preço imutável, ausência de oscilação nem ausência de risco.

Alterações nas condições de mercado, nas taxas de juros ou em indexadores podem afetar os valores de determinados títulos ao longo do tempo.

Renda fixa pode apresentar risco de mercado.

Investimentos de renda fixa não possuem todos exatamente o mesmo tipo ou a mesma intensidade de risco. O detalhamento de como os preços de títulos se comportam ao longo do tempo será tratado em conteúdo futuro específico.

Risco específico e risco de mercado amplo

O risco específico, também chamado de não sistemático, relaciona-se mais diretamente a determinada empresa, emissor, setor ou exposição específica. Já o risco amplo, ou de mercado, pode afetar simultaneamente diversos investimentos.

Adicionar mais ativos não faz automaticamente os riscos amplos desaparecerem, e tampouco elimina totalmente o risco específico.

Esses conceitos são desenvolvidos em diversificação de investimentos: como reduzir riscos e organizar a carteira.

Risco de crédito

Emissor e contraparte

Risco de crédito está relacionado à possibilidade de o emissor ou contraparte não cumprir integralmente as obrigações assumidas.

Dependendo do instrumento, essas obrigações podem envolver:

  • pagamento de principal;
  • juros;
  • outras obrigações contratuais;

Popularmente, esse risco costuma ser resumido pela palavra “calote”. A expressão ajuda a lembrar do conceito, mas a definição técnica é mais ampla: o descumprimento pode ser parcial, envolver prazos, condições contratuais ou outras obrigações, e não apenas a ausência total de pagamento.

Mesmo retorno não significa mesmo risco de crédito

Suponha o Investimento A com +8% e o Investimento B com +8% no mesmo período. O resultado observado é o mesmo, mas as estruturas de crédito envolvidas podem ser completamente diferentes.

Rentabilidade idêntica não permite concluir que o risco de crédito seja idêntico.

Diversificação entre emissores

Distribuir exposições entre diferentes emissores pode reduzir a dependência da carteira em relação a um único emissor. Ainda assim, diversificação entre emissores não elimina o risco de crédito.

A lógica de distribuição de exposições é detalhada em diversificação de investimentos.

Liquidez e risco de liquidez

O que é liquidez?

Liquidez está relacionada à facilidade ou rapidez de vender, resgatar ou converter um investimento em dinheiro em condições adequadas.

Prazos, formas de negociação e mecanismos de conversão variam bastante entre investimentos e são aprofundados em liquidez nos investimentos: o que é, como funciona e por que ela importa.

O que é risco de liquidez?

Risco de liquidez está relacionado à possibilidade de haver dificuldade para negociar ou converter determinado investimento em recursos nas condições ou no prazo esperado.

Em determinadas situações, pode haver:

  • maior dificuldade de negociação;
  • ausência de contraparte;
  • necessidade de aceitar condições menos favoráveis;
  • demora na conversão em recursos;

Liquidez e risco de liquidez são a mesma coisa?

Não. As perguntas são diferentes.

Diferença entre liquidez e risco de liquidez a partir da pergunta principal de cada conceito
ConceitoPergunta principal
LiquidezCom que facilidade o investimento pode ser convertido em dinheiro?
Risco de liquidezO que pode acontecer se houver dificuldade para realizar essa conversão nas condições esperadas?

Alta liquidez significa ausência de risco?

Não. Um investimento com alta liquidez ainda pode estar exposto a risco de mercado, risco de crédito ou outros riscos.

Alta liquidez ≠ investimento sem risco.

Outros riscos dos investimentos

Risco operacional

Risco operacional relaciona-se a problemas ou falhas envolvendo:

  • processos;
  • sistemas;
  • controles;
  • gestão;
  • fatores humanos;
  • infraestrutura operacional;

Risco legal

Risco legal relaciona-se a problemas jurídicos que possam afetar:

  • cumprimento de condições;
  • validade de obrigações;
  • exercício de direitos;
  • execução de contratos;

Esta seção apresenta apenas o conceito e não constitui orientação jurídica.

Vários riscos podem existir ao mesmo tempo

Um único investimento pode estar simultaneamente exposto a riscos de:

  • mercado;
  • crédito;
  • liquidez;
  • riscos operacionais;
  • riscos legais;
  • riscos específicos da estrutura;

Por isso, atribuir artificialmente um único risco a cada produto costuma simplificar demais a análise.

Renda fixa e renda variável possuem risco?

Dependendo do investimento de renda fixa, pode existir risco de mercado, risco de crédito, risco de liquidez e outros riscos. Não é correto afirmar que renda fixa é segura ou que renda fixa não tem risco.

Em renda variável, o valor dos investimentos pode ser afetado por:

  • condições de mercado;
  • resultados e perspectivas de empresas;
  • expectativas econômicas;
  • fatores setoriais;
  • fatores específicos do ativo;
Renda fixa ≠ ausência de risco. Cada investimento possui características próprias que precisam ser analisadas individualmente.

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Concentração, peso e risco

Concentração não é percentual de risco

Considere um patrimônio hipotético de R$ 20.000 e uma exposição analisada de R$ 14.000.

Concentração = 14.000 ÷ 20.000 × 100 = 70%

Exemplo: participação da exposição no patrimônio

O resultado indica que 70% do patrimônio está associado à exposição analisada.

70% mede a participação/concentração da exposição no patrimônio analisado. Não significa que a carteira possua “70% de risco”.

O tema é aprofundado em diversificação de investimentos: como reduzir riscos e organizar a carteira.

Peso da carteira não é medida completa de risco

Peso_i = (Valor_i ÷ Patrimônio total) × 100

Exemplo: participação de uma posição no patrimônio total

A fórmula responde a uma única pergunta: quanto essa posição representa na carteira. Sozinha, ela não responde:

  • probabilidade de perda;
  • magnitude possível de perdas;
  • risco de mercado;
  • risco de crédito;
  • risco de liquidez;
  • volatilidade futura;
  • risco total;

O acompanhamento de pesos e desvios em pontos percentuais é tratado em rebalanceamento da carteira: o que é, como funciona e como acompanhar a alocação.

Diversificação reduz os riscos?

Pode reduzir determinados riscos e concentrações, mas não elimina todos os riscos.

Riscos que podem ser reduzidos

Distribuir exposições pode reduzir a dependência da carteira em relação a:

  • um ativo;
  • um emissor;
  • um setor;
  • determinada fonte específica de risco;

Riscos que a diversificação não elimina

Mesmo uma carteira diversificada pode continuar exposta a:

  • condições gerais de mercado;
  • choques econômicos;
  • risco de liquidez;
  • riscos sistêmicos;
  • outros fatores amplos;
Diversificação ≠ ausência de risco.

Horizonte, objetivos e risco

A interpretação dos investimentos pode depender de circunstâncias como:

  • horizonte;
  • objetivos;
  • situação financeira;
  • necessidade de liquidez;
  • capacidade e tolerância a risco;

Prazo maior não elimina risco, e a afirmação de que “basta esperar que recupera” não encontra sustentação: recuperações não são garantidas nem previsíveis.

Conceitualmente, investidores podem apresentar diferentes:

  • objetivos;
  • horizontes;
  • situações financeiras;
  • conhecimentos;
  • capacidade e disposição para assumir riscos;

A adequação de produtos, serviços e operações ao perfil do cliente é disciplinada pela Resolução CVM 30. Este conteúdo é apenas educacional: o Rendaxx App não realiza, por meio dele, o processo regulatório de suitability nem aplica questionário de perfil.

Rentabilidade passada e risco futuro

Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Um período sem perdas não prova ausência de risco, e um período com perda também não descreve sozinho todos os riscos futuros.

Dados históricos descrevem o que ocorreu. Não representam previsão.

Como analisar risco sem olhar somente a rentabilidade?

Suponha a Carteira A com +12% e a Carteira B com +10% no mesmo período. Não é possível concluir automaticamente que A é melhor.

Conceitualmente, é necessário considerar:

  • riscos;
  • liquidez;
  • concentração;
  • período;
  • composição;
  • características dos ativos;

A escolha de referências comparáveis é tratada em benchmark de investimentos.

O que este artigo não calcula

Este conteúdo não implementa nem calcula:

  • volatilidade;
  • variância;
  • desvio-padrão;
  • beta;
  • VaR;
  • Expected Shortfall;
  • Sharpe;
  • Sortino;
  • matriz de correlação;
  • probability of default;
  • perda esperada;
  • score próprio de risco;
  • classificação automática baixo/médio/alto;
  • percentual próprio de “risco da carteira”;

O objetivo é ensinar os fundamentos antes das métricas quantitativas.

Erros comuns ao analisar risco

  1. Achar que risco significa perda certa.
  2. Confundir perda realizada com medida de risco.
  3. Achar que maior risco garante maior retorno.
  4. Olhar apenas a rentabilidade.
  5. Achar que renda fixa não possui risco.
  6. Confundir liquidez com ausência de risco.
  7. Ignorar risco de crédito.
  8. Ignorar risco de mercado.
  9. Ignorar risco de liquidez.
  10. Confundir concentração percentual com percentual de risco.
  11. Achar que muitos ativos eliminam todos os riscos.
  12. Tratar desempenho passado como certeza futura.
  13. Considerar que dois investimentos com o mesmo retorno possuem o mesmo risco.
  14. Avaliar risco sem considerar horizonte, objetivos e características do investimento.
Risco não é um único número capaz de descrever todas as características de um investimento.

Roteiro educacional

Uma forma de organizar a observação de um investimento ou exposição é seguir um roteiro de perguntas:

  1. Qual investimento ou exposição está sendo analisado?
  2. Quais são suas principais características?
  3. Quais fatores podem afetar seu preço?
  4. Existe exposição a risco de crédito?
  5. Como é sua liquidez?
  6. Existem riscos específicos do emissor, setor ou estrutura?
  7. Qual é o peso dessa exposição na carteira?
  8. Existem outras posições expostas aos mesmos fatores?
  9. Qual é o horizonte e a finalidade da análise?
  10. Quais riscos continuam presentes mesmo após a diversificação?

O roteiro serve para organizar o estudo e não constitui diagnóstico individualizado nem recomendação de compra, venda ou manutenção.

Conclusão

Risco não deve ser reduzido apenas a ganho, perda, volatilidade, peso, concentração ou rentabilidade passada. É necessário compreender diferentes fontes: mercado, crédito, liquidez e riscos complementares, como operacional e legal.

Maior retorno realizado não prova maior ou menor risco. Maior risco não garante maior retorno futuro. E a diversificação pode reduzir determinados riscos, mas não elimina todos eles.

Quais riscos estão presentes nos meus investimentos e o que cada um deles pode significar para a carteira?

Perguntas frequentes

O que é risco nos investimentos?
Risco está relacionado à incerteza sobre os resultados que efetivamente poderão ocorrer em relação ao que era esperado.
Risco significa que vou perder dinheiro?
Não. Risco representa incerteza. Uma perda pode ocorrer, mas risco não significa que o resultado negativo seja certo.
Quais são os principais tipos de risco?
Entre os principais estão risco de mercado, risco de crédito e risco de liquidez. Existem também outros, como riscos operacional e legal.
Renda fixa tem risco?
Sim. Dependendo do investimento, pode existir risco de mercado, crédito, liquidez e outros riscos.
Alta liquidez significa baixo risco?
Não necessariamente. Um investimento pode possuir alta liquidez e continuar sujeito a risco de mercado, crédito ou outros riscos.
Diversificação elimina os riscos?
Não. Ela pode reduzir determinadas concentrações e riscos específicos, mas não elimina todos os riscos dos investimentos.
Maior risco garante maior retorno?
Não. Maior risco pode estar associado à expectativa de maior retorno, mas não existe garantia de que o retorno realizado será superior.

Fontes e referências

Sobre este conteúdo

Produção editorial:
Rendaxx App
Responsável editorial:
Dorildo Necker de Moura
Finalidade:
Educação financeira e informação
Última revisão:

Este conteúdo foi elaborado para apresentar conceitos gerais de educação financeira em linguagem acessível. As fontes utilizadas são identificadas para permitir consulta e aprofundamento.

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